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Demanda de energia de data centers pode aumentar em 137% mundialmente até 2030

Segundo estudo de Allianz Trade, norte-americanos já enfrentam custo direto de USD 1,4 bilhão por ano adicional nas contas de luz, diretamente atribuível ao crescimento dos data centers.

A revolução da inteligência artificial (IA) está remodelando as economias globais, começando pelos mercados de energia. Segundo o relatório Thinking fast, building slow: The energy cost of the US AI boom, divulgado por economistas da Allianz Research, no cenário base da agência internacional de energia (IEA), espera-se que o crescimento impulsionado pela IA na demanda de energia de data centers aumente entre 58% e 137% nas principais regiões do mundo entre 2025 e 2030, sustentado por um investimento anual que rivaliza com a escala de toda a indústria global de petróleo e gás.

O estudo mostra ainda que o principal fator por trás dessa aceleração é uma mudança fundamental na forma como a IA está sendo utilizada. Ao contrário das interações de chat convencionais, os sistemas planejam e executam tarefas de múltiplas etapas de forma autônoma, aumentando drasticamente o consumo de tokens por interação.

As implicações energéticas são substanciais: uma tarefa autônoma que envolve raciocínio consome cerca de 50 Wh, em comparação com aproximadamente 0,3 Wh para uma consulta de texto padrão, o que representa cerca de 150 vezes mais energia por interação.

Os economistas apontam que o aumento da IA generativa e dos sistemas agênticos está impondo um choque de demanda sem precedentes na infraestrutura elétrica, resultando em um custo direto de USD 1,4 bilhão por ano adicional nas contas de luz dos consumidores residenciais dos EUA. Em regiões como o Norte da Virgínia, o Arizona e o Noroeste do Pacífico, apenas cinco concessionárias — que atendem 4,4 milhões de residências — são responsáveis por mais de 40% desse custo extra. Nestas áreas, os clientes enfrentam um aumento médio anual de USD 139 diretamente atribuível ao crescimento dos data centers.

Os economistas explicam que a demanda de data centers afeta os preços de energia por meio de vários fatores combinados, incluindo:

  • Grandes cargas concentradas elevam os preços dos leilões do mercado de capacidade, já que os operadores de rede devem adquirir geração firme adicional para atender à demanda de pico prevista, com os custos sendo repassados a todos os consumidores.
  • A infraestrutura de conexão à rede representa um segundo fator, já que transformadores, comutadores e linhas de transmissão dedicadas são normalmente cobertos por meio de tarifas mais amplas das concessionárias, em vez de serem cobrados das instalações que geram a demanda. Essas pressões recaem sobre redes já sobrecarregadas por décadas de subinvestimento, amplificando o impacto de custo de cada nova interconexão.
  • O mix de geração de energia: data centers exigem energia firme e ininterrupta que as fontes renováveis, sozinhas, não podem fornecer, empurrando as concessionárias para matrizes mais caras, como o gás e a energia nuclear. Os autores afirmam que a energia renovável na qual os data centers confiam para compromissos de sustentabilidade está frequentemente localizada longe dos centros de carregamento, criando custos de congestionamento que reverberam por toda a rede mais ampla.

 

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