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Saiba 5 tendências para o mercado de data centers no Brasil em 2026

Em meio a amadurecimento do setor, líderes empresariais discutem desafios estruturais, regulação e caminhos para sustentar o crescimento a longo prazo. Digital twins, mais inteligência artificial, design flexível e descentralização são algumas das previsões dos especialistas da Siemens.

O Brasil chega a 2026 como o principal mercado de data centers da América Latina, impulsionado por investimentos internacionais e projetos que podem triplicar a capacidade instalada até 2029.

Enquanto São Paulo segue como principal hub do setor, a expansão para o Rio de Janeiro e outras regiões com maior disponibilidade de energia renovável e menor saturação evidencia um mercado em crescimento acentuado, embora pressionado por gargalos na infraestrutura elétrica, elevados custos e burocracia.

Esse foi o diagnóstico apresentado por executivos de tecnologia durante o webinar “Trends & Outlooks 2026”, oferecido pela Siemens, que debateu a consolidação e a aceleração estratégica do mercado brasileiro de data centers, analisando o cenário atual e as perspectivas para o ano sob o impacto da inteligência artificial.

Conheça a seguir as projeções dos especialistas, que apontam para um mercado em aceleração, focado em alta densidade e eficiência operacional:

Explosão da demanda por IA

A inteligência artificial continuará multiplicando a necessidade de processar dados. Espera-se que a capacidade brasileira de processamento, atualmente em 700 MW, se expanda nos próximos anos para atender à demanda interna e global por aplicações de IA que exigem maior densidade computacional e consumo energético.

“Hoje, 60% dos dados gerados no Brasil são processados fora do país. Com a perspectiva de crescimento do mercado nos próximos anos, a expectativa é que o Brasil precise chegar a 3,5 GW. É um crescimento muito acelerado: cinco vezes mais do que temos hoje em um período de apenas 5 anos", afirma Fernando Palamone, da multinacional de tecnologia RT-One.

Esse impulso, no entanto, esbarra em um descompasso relevante, conforme aponta Engelbert de Oliveira, da Siemens Brasil. “Os projetos de data centers exigem muito mais agilidade: normalmente levam de um a três anos para entrar em operação. Já a ampliação das linhas de transmissão necessárias para levar energia até esses locais pode levar de sete a oito anos”.

Adoção em massa de digital twins

O uso de digital twins (representação virtual de um objeto) será padrão para simular o desempenho térmico e elétrico antes da construção de data centers, permitindo um dimensionamento preciso e a redução de custos operacionais.

“O gêmeo digital é uma ferramenta muito poderosa porque permite realizar simulações, como estudos de engenharia térmica, e executar testes antes de qualquer implementação física. Isso resulta em um melhor dimensionamento da infraestrutura de energia, refrigeração e espaço, fatores vitais para a indústria de data centers", diz o executivo da Siemens Brasil.

Flexibilidade no design

Devido à rápida evolução de tecnologias como o liquid cooling (resfriamento líquido) e novos chips, os projetos de 2026 focarão em ser flexíveis e modulares, permitindo ajustes tecnológicos sem a necessidade de reconstruir a infraestrutura.

“Pela necessidade de se ter novos data centers em operação, os projetos estão tendendo mais para um ponto de vista de flexibilidade do que de eficiência máxima de operação", resume Gustavo Pazelli, da LZA Engenharia e Gerenciamento.

Na visão do especialista, fabricantes de chips e de outras soluções também precisam ajudar o mercado a convergir para padrões mais definidos, reduzindo a incerteza sobre quais tecnologias irão, de fato, sustentar as aplicações de IA e outras demandas dos data centers nos próximos anos.

Descentralização geográfica

A busca por maior disponibilidade de energia e menor latência deve impulsionar a formação de verdadeiras “cidades de data centers” fora do eixo São Paulo-Rio de Janeiro, aproveitando regiões com excesso de oferta energética no grid nacional, avaliam os executivos que participaram do evento online.

Esse movimento é viabilizado, sobretudo, pelo avanço da conectividade por fibra óptica, que permite o processamento de dados a grandes distâncias com latência cada vez menor, reduzindo a dependência de mercados já saturados.

“A proximidade física com o cliente final deixou de ser um fator determinante. Hoje é possível operar longe do consumidor e, ainda assim, transmitir dados com altíssima velocidade”, destaca Fernando Palamone, da RT-One.

O principal entrave, no entanto, não está na falta de energia, e sim na capacidade de levá-la até os novos data centers. “O grid energético brasileiro é majoritariamente verde e sustentável, mas existe uma limitação na distribuição. Regiões como o eixo São Paulo-Rio de Janeiro ainda concentram maior disponibilidade, enquanto, à medida que nos afastamos desses centros, há mais limitações”, explica Gustavo Pazelli, da LZA Engenharia e Gerenciamento.

Manutenção preditiva via IA

Segundo os especialistas, a operação dos data centers tende a se tornar cada vez mais inteligente, com o uso de softwares de IA capazes de identificar falhas antes que elas ocorram, elevando a resiliência e a eficiência energética das operações.

Essas soluções já conseguem capturar um volume de dados muito maior do que no passado, monitorando variáveis críticas como a pressão em diferentes pontos dos sistemas de refrigeração e o fluxo de energia. A partir dessa análise, a IA identifica padrões que indicam desgaste ou anomalias, permitindo intervenções preventivas antes que ocorram falhas ou interrupções no funcionamento dos equipamentos.

Regulação e avanços

Além das tendências para 2026, os executivos também debateram o ambiente regulatório dos data centers no Brasil. Um dos principais pontos da discussão foi o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center no Brasil), apontado como instrumento-chave para destravar o mercado ao oferecer maior segurança jurídica e previsibilidade para investidores internacionais.

“Na Siemens, percebemos que, após o anúncio do Redata, os pedidos de conexão à rede básica cresceram 32%. Esse aumento reflete claramente o humor do mercado”, comentou Engelbert de Oliveira.

Instituído por medida provisória assinada em setembro de 2025, o Redata condiciona os incentivos fiscais a contrapartidas em pesquisa e desenvolvimento, com foco no fortalecimento das cadeias produtivas digitais no país. O regime também estabelece percentuais mínimos de destinação dos serviços ao mercado interno e incentiva a desconcentração regional, ao reduzir as exigências para investimentos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

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