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Brasil apresentou crescimento de 642% na contratação de treinadores de IA em 2025
Segundo ao reporte Global Hiring Report 2025, da Deel, esse tipo de função oferece remunerações competitivas no mercado internacional, podendo ultrapassar US$ 100 por hora em posições altamente especializadas.
O Brasil se posiciona como um dos principais mercados da América Latina na contratação de treinadores de inteligência artificial (IA). De acordo com o relatório Global Hiring Report 2025, a contratação desse perfil no país cresceu 642% em 2025 por meio da plataforma da Deel.
Os treinadores de IA são responsáveis por supervisionar, validar e adaptar sistemas de inteligência artificial para uso em contextos reais, garantindo que suas respostas sejam precisas, coerentes e adequadas a diferentes ambientes culturais, linguísticos e profissionais. “Diversas indústrias precisam de conhecimento local, domínio de idiomas e especialização para garantir que seus modelos de IA funcionem de forma eficaz em diferentes contextos, o que abre novas oportunidades para a região”, afirma Natalia Jiménez, diretora de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina na Deel.
Entre as principais atividades dos treinadores de IA estão o treinamento e rotulagem de dados, validação de respostas complexas e ajustes finos dos modelos. Esses profissionais podem atuar como generalistas ou especialistas em áreas como medicina, economia, tradução, matemática e testes de software.
A remuneração varia de acordo com o nível de especialização e complexidade das tarefas. O salário médio varia de US$ 15 a US$ 50 por hora, podendo chegar a US$ 100 por hora em funções altamente especializadas. No Brasil, a média salarial para esses profissionais gira em torno de US$ 15 por hora, segundo o relatório.
Segundo ao Deel, no Brasil, os cargos mais demandados incluem treinadores de IA generalistas, analistas de testes com foco em IA (software tester) e tradutores especializados, refletindo uma evolução de funções mais operacionais para posições técnicas e altamente qualificadas.
Esse movimento acompanha uma mudança estrutural no mercado de trabalho. A demanda por esses profissionais cresce globalmente à medida que sistemas de IA são expandidos para novos idiomas, mercados e aplicações, tornando esse papel essencial para implementação e validação das tecnologias.
A expansão desses cargos evidencia uma mudança fundamental na forma como a IA é implementada. Longe de operar de maneira totalmente autônoma, esses sistemas dependem cada vez mais da interação entre tecnologia e conhecimento humano para se adaptarem a diferentes mercados, idiomas e aplicações.
Na América Latina, o dinamismo também é evidente. A região registrou forte crescimento na contratação de treinadores de IA, com destaque para Colômbia (+745%), Argentina (+724%), Brasil (+642%), México (+408%) e Chile (+209%), consolidando a região como um polo estratégico para a indústria de inteligência artificial.
Em escala global, a distribuição desses profissionais ainda é concentrada: os Estados Unidos reúnem cerca de 58% dos treinadores de IA, seguidos por Índia (7%), Filipinas (4%), Canadá (2%) e Quênia (1%). No entanto, outros mercados vêm ganhando relevância, impulsionados por habilidades linguísticas e conhecimento de contextos locais.