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8 previsões da SAS sobre a IA para 2026 no setor público

Um ano turbulento em tecnologia e governo coloca especialistas do setor público do SAS frente a um futuro incerto. Confira algumas previsões de executivos do Brasil, EUA e Europa.

Quando o assunto são previsões para o setor público, as disrupções e transformações vividas tanto no governo quanto na inteligência artificial (IA) em 2025 teriam desafiado até Nostradamus. Ainda assim, apesar de 2025 ter sido marcado pela incerteza, muitos especialistas do SAS acertaram ao prever a evolução do uso de IA no governo ao longo do ano.

No 2026, os investimentos globais em IA no governo seguem crescendo, mesmo sem que os esforços em IA confiável acompanhem o mesmo ritmo. Essa foi uma das conclusões do recente Relatório de Impacto dos Dados e da IA: O imperativo da confiança, realizado pelo IDC patrocinado pelo SAS.

Órgãos governamentais estão usando IA generativa tanto quanto ou até mais do que outros segmentos e são líderes no uso de IA tradicional e agêntica. Ainda assim, os investimentos do setor público em infraestrutura e software de IA confiável ficam atrás dos realizados pelo setor privado.

O que isso significa para a tecnologia em 2026? Os governos conseguirão equilibrar inovação em IA com um foco equivalente em práticas confiáveis? Em um ambiente regulatório inconsistente, as agências adotarão estruturas mais robustas de governança de IA para orientar seu uso? Esses investimentos vão, de fato, gerar os ganhos prometidos de produtividade e eficiência ou veremos uma abordagem mais pragmática na adoção?

Em meio a mudanças intensas, especialistas em setor público do SAS revelam o que esperar de 2026. Confira:

Consultoria vs. força de trabalho capacitada por tecnologia

Segundo a Ben Stuart, vice-presidente do Setor Público da SAS EUA, cada vez mais, o setor público busca reduzir os gastos com grandes projetos de tecnologia que exigem forte dependência de consultorias e soluções customizadas. “A chave será usar a tecnologia para acelerar análises e fluxos de trabalho, permitindo que servidores públicos façam mais com menos. A combinação de conhecimento setorial, tecnologia sem atritos e capacitação da força de trabalho será fundamental”, disse Stuart.

Transparência é crítica na evolução da IA e da IA generativa no setor público

Lucas Ermino, engenheiro de Sistemas do SAS Brasil, opinou que as agências governamentais vão avançar de pilotos promissores para a operacionalização da IA. Isso frequentemente ocorrerá por meio de agentes de IA, que irão tomar decisões e executar ações com pouca intervenção humana. “Viabilizar a transparência algorítmica será essencial para garantir que essas decisões são auditáveis, explicáveis e compreensíveis para as pessoas”, ele disse.

Governança de IA ganha protagonismo diante de regulamentações e soberania digital

O cientista de dados Vrushali Sawant alertou que os governos ao redor do mundo buscarão cada vez mais soluções de “IA soberana” para garantir o controle sobre dados e recursos computacionais dentro de suas fronteiras, impulsionando a criação de ecossistemas nacionais de inteligência artificial e data centers regionais.

Outro executivo, Josefin Rosén, especialista da IA na SAS Suécia, concordou: “Líderes do setor público reconhecerão, cada vez mais, a alfabetização em IA como algo fundamental e não mais como opcional. A governança irá além de listas técnicas de verificação, avançando para um entendimento compartilhado e responsabilização.”

A IA agêntica ganhará escala nos serviços ao cidadão

No Espanha, o gerente sênior de Vendas, Afshin Almassi, acredita que nos anos seguintes seremos testemunhas de uma grande mudança na IA generativa e na comoditização dos grandes modelos de linguagem (LLMs). “Veremos a ascensão de frameworks de IA agêntica capazes de oferecer contexto confiável, seguro e preciso, além de orquestrar fluxos de trabalho complexos para gerar valor real. Além disso, assistentes virtuais baseados tanto em IA tradicional quanto em IA generativa responderão a demandas complexas dos cidadãos em diferentes idiomas, reduzindo o tempo de espera e ampliando a acessibilidade.”

Dados sintéticos surgem como solução para a escassez de dados do mundo real

Uma diretora da SAS Itália, Alena Tsishchanka, considera que as agências que dependem exclusivamente de dados reais ficarão limitadas por mudanças políticas e restrições de soberania digital. Segundo a Alena, os dados sintéticos se tornarão a única forma de inovar em IA de maneira segura, em escala e em total conformidade regulatória.

Com os controles analíticos corretos, os LLMs podem ser usados para criar dados sintéticos de texto não estruturado, como e-mails, relatórios de incidentes ou eventos adversos, para uso em pesquisa, treinamento e testes.

A força de trabalho impulsionada por IA exigirá uma nova abordagem de capacitação

A tendência é para o treinamento automatizado. Segundo a Steven Tiell, Global Head da SAS AI Governance Advisory, as agências públicas irão capturar conhecimento institucional ao treinar sistemas de retrieval augmented generation (RAG) com a expertise documentada de servidores seniores, criando mentores de IA que ofereçam aos funcionários juniores acesso on-demand a décadas de conhecimento acumulado e boas práticas. “Infelizmente – alertou Tiell – isso também pode levar a mais casos de sabotagem de IA, quando profissionais, temendo serem substituídos pela tecnologia, produzem conteúdo de baixa qualidade de forma intencional para contaminar os treinamentos.”

Andrea Covino, gerente de Vendas para o Setor Público da SAS Itália, concordou em que a IA, a robótica e a automação continuarão a remodelar funções de trabalho. “Embora algumas posições sejam eliminadas, muitas novas surgirão, especialmente nos setores de tecnologia, energia verde e cuidados. Os conjuntos de habilidades atuais se tornarão obsoletos em algumas áreas nos próximos anos, exigindo que governos invistam em requalificação e atualização dos seus profissionais”, disse Covino.

IA, aliada e inimiga de investigadores e autoridades fiscais

“Em 2026, a gestão de identidade se tornará a base dos acordos entre agências para garantir o compartilhamento de dados de forma legal, justa e segura. Isso favorecerá a troca de informações entre órgãos, permitindo uma detecção e mitigação mais contextualizada de fraudes, desperdícios e abusos”, disse John Stultz, Principal Solutions Architect da Risk, Fraud & Compliance.

O consultor da Tax & Revenue Compliance, John Bace, acrescentou que as agências precisarão intensificar o foco na detecção de fraudes, verificação de identidade e análise de dados financeiros relacionados a tributos para reduzir riscos e proteger a arrecadação, devido ao incremento de identidades e transações geradas de forma cada vez mais sofisticada com IA generativa e os esquemas de evasão fiscal ainda mais complexos.

IA ampliará a capacidade de vigilância em saúde

Com grande parte dos dados de pacientes e de saúde pública ainda registrados em documentos físicos ou dependentes de entrada manual, soluções de extração e resolução de entidades baseadas em IA ganharão espaço para otimizar os sistemas de notificação em saúde pública. De acordo com Ian Kramer, gerente sênior da Customer Advisory, US Healthcare, isso reduzirá a duplicidades das informações e tarefas manuais demoradas, revitalizando a base dos sistemas de vigilância em saúde e, potencialmente, ajudando a identificar e conter surtos mais rapidamente.

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