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Startup brasileira cria IA que preserva o conhecimento de profissionais com esclerose

Desenvolvido pela Faculdade Unimed em parceria com WorkAI, Projeto ExtensIA, combina inteligência artificial, rastreamento ocular e avatares digitais. A ferramenta já permitiu que psiquiatra com ELA volte a dar aulas sem mover o corpo.

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa que compromete progressivamente os movimentos do corpo, mas preserva as funções cognitivas dos pacientes. Foi diante desse cenário que a Fundação Unimed, mantenedora da Faculdade Unimed, em parceria com a WorkAI, desenvolveu o ExtensIA, um projeto em fase beta que utiliza inteligência artificial (IA), rastreamento ocular e avatares digitais para ampliar a autonomia profissional de pessoas com limitações motoras severas.

A tecnologia poderá ser aplicada a profissionais de diferentes áreas como medicina, direito, educação, pesquisa e gestão que, apesar de limitações motoras severas, mantêm suas capacidades cognitivas intactas. O objetivo é demonstrar que a deficiência física não representa o fim da produção intelectual, mas o início de uma nova forma de expressão e atuação profissional.

A iniciativa, que receberá aproximadamente R$5 milhões em investimentos, busca ampliar o acesso a tecnologias assistivas para pessoas com limitações motoras severas e funções cognitivas preservadas. Como um Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), a Fundação Unimed, por meio da Faculdade Unimed, é a responsável pela coordenação científica e institucional do projeto.

O projeto conta com patrocínio da Seguros Unimed, Unimed Campinas e Unimed-BH, que apoiam a iniciativa como parte da ampliação do uso de tecnologias voltadas à acessibilidade, inclusão e continuidade profissional. Com previsão de ampliação gradual ao longo dos próximos meses, o projeto busca consolidar o uso da inteligência artificial assistiva como ferramenta de inclusão, autonomia e preservação do conhecimento especializado.

O primeiro caso piloto do ExtensIA é a psiquiatra Maria Inês Quintana, uma das principais especialistas em transtorno de personalidade borderline do país, que voltou a realizar atividades acadêmicas e profissionais com apoio da tecnologia. Professora afiliada do Departamento de Psiquiatria da Unifesp e coordenadora do curso de pós-graduação em Saúde Mental da Faculdade Unimed, Maria Inês foi diagnosticada com ELA há três anos. Agora ela utiliza tecnologias assistivas baseadas em rastreamento ocular para manter a comunicação.

O ExtensIA foi estruturado em três frentes complementares. A primeira delas é um agente clínico treinado com o acervo intelectual e científico da psiquiatra. A segunda frente contempla um avatar digital capaz de reproduzir aulas e palestras em diferentes idiomas, além de um sistema multiagente voltado ao suporte acadêmico e educacional. Já a terceira integra a ferramenta aos sistemas educacionais da Faculdade Unimed, com agentes de IA responsáveis por tarefas como organização de grades curriculares, análise de ementas e apoio à gestão acadêmica.

A supervisão final e a validação dos conteúdos continuarão sob responsabilidade da médica, preservando o controle intelectual e decisório sobre todo o processo.

“No caso da Dra. Maria Inês, a tecnologia foi desenvolvida para garantir que limitações físicas não interrompam trajetórias profissionais construídas ao longo de décadas. O ExtensIA integra inteligência artificial e recursos assistivos para ampliar autonomia e permitir que profissionais continuem atuando, ensinando, pesquisando e compartilhando conhecimento mesmo diante do avanço de doenças neurodegenerativas”, afirma Eduardo Barros, CEO da WorkAI.

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