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4 em cada 10 trabalhadores no Brasil já usam IA por iniciativa própria, revela estudo

Levantamento da WeWork mostra que tecnologia entra nas organizações “de baixo para cima”, antes mesmo de estratégias corporativas formais.

A adoção da inteligência artificial nos escritórios brasileiros vem sendo puxada mais pelos funcionários do que pela liderança das empresas, segundo estudo da WeWork em parceria com a Offerwise.

De acordo com a estudo, 43% dos profissionais afirmam usar inteligência artificial (IA) por iniciativa própria em suas rotinas, enquanto apenas 19% dizem receber incentivo das organizações para adotar a tecnologia. O uso está concentrado principalmente em pesquisas rápidas, feitas por 70% dos usuários, e em tarefas técnicas, citadas por 55% deles.

Apesar da ampla adesão, o estudo mostra que a maioria dos funcionários ainda têm conhecimento básico ou intermediário em IA, o que restringe sua aplicação em atividades mais avançadas, como análise de dados, automação e integrações mais complexas.

“Hoje, a ferramenta está nas mãos do funcionário proativo, o que gera uma reflexão necessária sobre como as organizações podem integrar essa inovação de forma estratégica e estruturada”, afirma Claudio Hidalgo, presidente regional da WeWork Latam.

Em relação às emoções associadas à implementação da IA, 59% dos entrevistados disseram sentir curiosidade, 41% demonstraram otimismo e 38%, entusiasmo. Já sentimentos negativos apareceram em menor escala, como insegurança (16%), indiferença (12%), medo (11%) e ceticismo (5%).

Foco no bem-estar e rejeição do modelo presencial

Realizado com 2.500 profissionais em todo o país, o levantamento analisa outras tendências do mercado de trabalho brasileiro em 2026, como a busca por equilíbrio entre vida pessoal e profissional – fator considerado fundamental por 93% dos profissionais.

“O bem-estar integral estabeleceu-se como o fator determinante do mercado de trabalho

brasileiro. Além da saúde, as prioridades incluem a evolução das condições de trabalho, a flexibilidade do modelo remoto e a competitividade econômica. Juntos, esses elementos moldam uma visão de trabalho onde a qualidade de vida é o eixo central das decisões profissionais", diz o estudo.

Nesse sentido, 64% dos brasileiros afirmam que trocariam de emprego por mais qualidade de vida, mesmo com um salário menor, segundo a pesquisa. O movimento é ainda mais forte entre os novos talentos, que valorizam não apenas saúde física e mental, mas também ambientes com segurança psicológica, relações saudáveis, menos pressão tóxica e um equilíbrio concreto entre vida pessoal e trabalho.

O cenário atual também é marcado pela convivência entre diferentes gerações. Enquanto Millennials e profissionais da Geração Z priorizam propósito e flexibilidade, a Geração X segue como base de experiência e estabilidade estratégica nas equipes.

Outro destaque é a busca por mais flexibilidade e autonomia no trabalho. Atualmente, 63% dos profissionais atuam no modelo presencial, mas, para 79% deles, a ida ao escritório acontece por obrigação, e não por escolha. Nesse contexto, o deslocamento aparece como o principal problema da rotina presencial, mencionado por 65% dos entrevistados.

“O escritório não compete mais apenas com outras empresas; mas com o conforto do lar. Para que este retorno faça sentido, o ambiente corporativo também deve oferecer uma experiência superior, combatendo problemas comuns como o excesso de ruído, que afeta 57% dos trabalhadores”, comenta Claudio Hidalgo.

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