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Inteligência artificial pode destravar participação do Brasil no comércio global
CEO e cofundador da Logcomex afirma que agentes de IA devem automatizar processos, tornar empresas mais eficientes e reduzir barreiras históricas. A logtech oferece plataforma que rastreia cargas, confere documentos e cruza dados para identificar oportunidades de mercado.
O comércio exterior brasileiro vive uma nova etapa de digitalização, impulsionada pela inteligência artificial, que avança sobre um setor ainda marcado por processos manuais e sistemas pouco integrados.
Do rastreamento de cargas em tempo real à verificação automática de documentos, surgem soluções capazes de elevar a eficiência e a competitividade das empresas no cenário internacional. “É um mercado que ainda funciona, em grande parte, com planilhas, e-mails, mensagens de WhatsApp, documentos e portais do governo”, pontua Helmuth Hofstatter, CEO da Logcomex.
Nesse contexto, empresas de tecnologia apostam em agentes autônomos para simplificar operações e reduzir custos – uma transformação que, além de ganhos de eficiência, pode destravar a participação do Brasil no comércio global.
“Apesar de ser um país continental, o Brasil tem menos de 100 mil empresas exportadoras e responde por cerca de apenas 1,5% do comércio global. Novos avanços do governo e das empresas de tecnologia devem ampliar essa participação”, diz Helmuth Hofstatter, que aponta a burocracia e a necessidade de alto fluxo de caixa como atuais entraves.
Agentes de IA transformam rotinas operacionais
Na avaliação do executivo, o uso da inteligência artificial (IA) no setor sinaliza uma mudança de lógica: em vez de apenas apoiar decisões, a tecnologia começa a executar tarefas, sobretudo por meio de agentes autônomos.
Como as operações do setor seguem padrões bem definidos –com etapas, prazos e diversas exigências legais –, a automação tende a reduzir erros e aumentar a previsibilidade. Em um contexto em que falhas podem gerar multas e atrasos relevantes, a proposta é mudar a forma de operar.
“Estamos trazendo o conceito de ‘comex por comando’. Em vez de um copiloto, o profissional passa a orquestrar múltiplas IAs, delegando tarefas para que elas executem o processo”, explica Helmuth Hofstatter. “Ou seja, em vez de enviar um e-mail a um cliente estrangeiro, acompanhar a carga e fazer follow-up manualmente, eu delego tudo e apenas aprovo ao final.”
Criada em 2016 para digitalizar o comércio exterior, a empresa hoje conta com mais de 4.000 clientes B2B e está lançando a Logcomex.AI, uma plataforma capaz de executar operações.
Na prática, a ferramenta integra etapas complexas: cruza documentos como invoice, packing list e bill of lading para identificar inconsistências, monitora embarques em tempo real e antecipa riscos logísticos, além de apoiar decisões de sourcing e mapear oportunidades comerciais. Também estrutura processos aduaneiros e automatiza rotinas operacionais 24 horas por dia.
Ainda segundo o especialista, apesar de o Brasil estar entre os países mais avançados em sistemas de comércio exterior e tributação, impulsionado por exigências regulatórias como o Portal Único, resta o desafio de educar as empresas. “Elas realmente precisam investir mais nesse conhecimento e entender o potencial da inteligência artificial”, afirma Hofstatter.