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Automação deixou de ser substituição e virou ferramenta de eficiência energética
Executivo da Mitsubishi Electric afirma que a adoção de soluções pode reduzir desperdícios, prever falhas e cortar custos, mas esbarra em desafios estruturais na indústria brasileira.
O Brasil ainda tem um longo caminho pela frente na adoção ampla de tecnologias de eficiência energética. Custos elevados, dependência de tecnologia importada e escassez de mão de obra qualificada seguem como principais entraves – mas ferramentas de inteligência artificial surgem como aposta para acelerar essa transformação na indústria.
A avaliação é de Alexandre Serain, gerente de marketing da Mitsubishi Electric Brasil e especialista em automação industrial. Segundo ele, o país se encontra em estágio de "adoção moderada" dessas tecnologias, com avanço mais lento nas pequenas e médias empresas, enquanto grandes indústrias já consolidaram uma cultura integrada de automação e eficiência energética.
"Notamos uma forte diferenciação tecnológica dentro de um mesmo país: de um lado, tecnologias de ponta; do outro, uma parcela da indústria que ainda carece de modernização", afirma.
Um dos principais obstáculos, na visão do especialista, é a combinação entre a necessidade de importar tecnologia e a falta de profissionais capacitados. "Investimos pouco em pesquisa e desenvolvimento, e faltam profissionais qualificados para empregar essas tecnologias de forma mais aprofundada."
Automação na prática
Entre as soluções já disponíveis estão os inversores de frequência, capazes de ajustar a velocidade dos motores de acordo com a necessidade da operação e reduzir o consumo de energia. Há ainda sistemas de supervisão que monitoram a produção, criam perfis energéticos e identificam oportunidades de melhoria, além de softwares que detectam sinais de falhas antes que máquinas parem de funcionar.
"A automação permite entregar com mais qualidade, a um custo menor e com melhor aproveitamento das matérias-primas", diz Serain.
A redução de desperdício de insumos e energia traz ganhos de sustentabilidade – uma vantagem relevante em um país onde a indústria responde por mais de 31% do consumo final de energia, conforme o Balanço Energético Nacional, publicado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo Ministério de Minas e Energia.
A tendência é que a IA passe a integrar todas as camadas do processo industrial. "Em fábricas novas, ela está entrando principalmente na parte de pesquisa, de formação de layout, e para entender como o processo pode ser melhor aproveitado", conta o especialista.
A Mitsubishi Electric tem investido em soluções voltadas à indústria 4.0, como inversores de frequência com IA embarcada para monitorar o desgaste de componentes e emitir pré-alarmes de manutenção, além de CLPs (Controladores Lógicos Programáveis), robótica e medidores integrados a softwares de supervisão. O conjunto permite monitorar em detalhes o perfil energético das plantas e gerenciar indicadores de desempenho para decisões mais eficientes.
Outras aplicações incluem IA para o planejamento de layouts que minimizam estoques e desperdícios, e sistemas de inspeção por câmera que permitem às máquinas se autocorrigirem ao detectar desvios de padrão na produção em tempo real.
Apesar dos desafios, o Brasil avança na adoção de novas tecnologias. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 61% das indústrias brasileiras inovaram nos últimos três anos, com foco na modernização de processos produtivos, sendo que 38% delas registraram aumento de produtividade como resultado.
"Quando a automação proporciona um processo com mais qualidade, custo menor e menos desperdício, a empresa se torna mais competitiva. É isso que a permite se manter viva em um mercado cada vez mais acirrado", afirma Serain.