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4 tendências para o mercado de experiência do usuário em 2026

Segundo a Atomsix, a IA emocional, interfaces autônomas e governança de dados vão definir experiências digitais no próximo ano em setores como saúde, varejo, educação e logística.

A combinação de inteligência artificial (IA) e design de experiência do usuário (UX) segue impulsionando os negócios em ritmo acelerado. Uma pesquisa da plataforma independente de pesquisa de mercado B2B Clutch indica que 83% dos usuários online apreciam quando um site é visualmente agradável e atualizado. Já um estudo da Forrester mostra que cada dólar investido em UX retorna 100, gerando um ROI de 9.900%.

A IA e o UX deixaram de ser diferenciais e se tornaram infraestruturas da experiência humana com a tecnologia. Em 2026 veremos menos interfaces e mais interações invisíveis capazes de entender emoções, contexto e intenção antes mesmo do usuário sinalizar suas necessidades.

Estamos entrando em uma fase em que o design não é apenas funcional, ele é preditivo e sensível. As melhores experiências serão aquelas que antecipam necessidades, respeitam a privacidade e demonstram humanidade no contato digital. Projetar com IA é projetar para pessoas.

Essa evolução acompanha a ampliação constante da adoção de IA nas empresas. Dados da McKinsey mostram que o uso de IA na experiência do cliente aumentou de 20%, em 2020, para 88% em 2025.

Para adotar essas tendências, o diferencial competitivo está em organizar dados, elevar a maturidade digital das equipes e conectar IA com objetivos concretos de negócio. A tecnologia não substitui estratégia. IA é poderosa, mas só faz sentido quando aplicada a um propósito real.

Mas quais são as tendências para ficar de olho em 2026?

1. IA emocional aplicada ao design: mais do que personalizar, a IA vai interpretar emoções, padrões de comportamento e micro reações para adaptar interfaces de forma empática. Em apps de saúde, por exemplo, o sistema poderá ajustar a linguagem e fluxo dependendo do estado mental do usuário. Essa tecnologia inaugura experiências mais humanas, acolhedoras e cuidadosas.

2. Interfaces autônomas (ou “UX autoevolutivo”): em vez de designers definirem manualmente o layout, algoritmos irão testar, ajustar e evoluir interfaces em ciclos contínuos e automatizados. A interface se redesenha sozinha com base em dados de navegação, reduzindo atrito e maximizando a conversão.

3. Governança de dados e UX responsável: com o avanço da IA, cresce a cobrança por transparência, ética e controle de dados do usuário. Em 2026, empresas precisarão evidenciar como utilizam informações pessoais e oferecer experiências que dêem ao usuário o senso real de controle, e não apenas a aparência dele.

4. UX multimodal e contínuo (voz + visão + contexto): a navegação não dependerá apenas de telas ou comandos de voz, mas da combinação entre eles. Um usuário poderá iniciar uma ação por voz, continuar no celular e concluir em um wearable, sem interrupção de contexto. Essa unificação da jornada digital cria experiências naturais e integradas.

Sobre o autor: Guilherme Ferreira é designer com mais de 25 anos de experiência, CEO e fundador da Atomsix, um estúdio global de design e tecnologia com sede em Orlando, Estados Unidos, e Florianópolis (SC). Ferreira tem liderarado projetos para gigantes como Google, Microsoft, Samsung e Mercedes-Benz. Ele tem sido palestrante em eventos como SXSW e UXPA. Atualmente, é também professor de UX Design na General Assembly NY, embaixador da ACATE nos EUA e investidor na Silvertrain Venture Builder.

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