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É o fim da experimentação com IA? Especialistas apontam 5 tendências tecnológicas para 2026
Estudo da Capgemini destaca integração da tecnologia à arquitetura empresarial, assim como transformações na computação em nuvem e crescimento das operações inteligentes.
A consultoria Capgemini apresentou as principais tendências tecnológicas para 2026, durante evento online na terça-feira (9 de dezembro), com a imprensa internacional e participação de especialistas e executivos.
Foram abordados temas como integração da inteligência artificial nas empresas, mudanças no desenvolvimento de software, evolução para nuvens híbridas e soberanas, avanço das operações inteligentes e redefinição da soberania tecnológica.
Entenda cada uma das projeções presentes no estudo:
- O ano da verdade para a IA
O ano de 2026 marcará a transição da IA de uma fase experimental para o estágio de maturidade, com o foco deixando de ser a inovação para se concentrar na integração da tecnologia nas organizações. Isso implicará uma mudança da prova de conceito para a prova de impacto, garantindo resultados mensuráveis.
A transformação envolverá o uso crescente de modelos híbridos de IA, que combinam abordagens tradicionais e generativas.
"A inovação que tivemos no passado agora está sendo substituída por uma conversa muito mais madura sobre a IA, com foco em entregar usos reais, tangíveis e práticos”, afirmou Mark Roberts, líder do Laboratório de Futuros de IA da Capgemini, durante o evento. “O objetivo é incorporar a IA ao tecido das organizações. 2026 será o ano da integração, em vez da inovação."
- IA domina software
A IA está transformando o desenvolvimento de software, passando da escrita de código para a definição de intenções. Desenvolvedores agora passarão a especificar os resultados desejados, enquanto a IA será responsável por gerar e manter os componentes do software, reduzindo os ciclos de entrega e melhorando a qualidade.
Entretanto, governança e supervisão permanecerão essenciais para evitar falhas, brechas de segurança e erros silenciosos.
A tendência levará à reconstrução do software, com sistemas adaptáveis, autossuficientes e capazes de se autoajustar. Isso tornará os sistemas mais ágeis e autônomos, reduzindo a dependência de provedores de Software como Serviço (SaaS) e permitindo a criação de produtos personalizados a preços competitivos.
Em décadas anteriores, o software virou uma camada de criação de valor, e mais tarde, tornou-se padronizado, escalável e disponível como SaaS graças a tecnologias como a nuvem, explicou Sudhir Pai, vice-CTO do Grupo Capgemini.
“Nos próximos dois a três anos, vamos reconstruir uma grande quantidade de software alimentado por IA. A pergunta é: por que reconstruir? A reconstrução ajudará as empresas a terem controle significativo, a partir de soberania, cibersegurança e dados", previu o especialista.
- Nuvem 3.0
A computação em nuvem está entrando em uma nova fase, em que arquiteturas híbridas, privadas, multicloud e soberanas deixam de ser nichos e se tornam essenciais para a operação em larga escala da IA, formando a base estrutural para cargas de trabalho de IA e agentes.
“A evolução da nuvem não se resume a um único tipo, como pública, privada, edge ou soberana, mas sim à integração de todos esses modelos trabalhando juntos como uma estrutura inteligente", pontuou Georgia Smith, líder de transformação em nuvem na Capgemini.
Essa transição para um ambiente híbrido é impulsionada pela IA, que exige infraestruturas escaláveis e de baixa latência para garantir um desempenho adequado.
- Ascensão das operações inteligentes
Sistemas empresariais estão evoluindo de sistemas estáticos de registro para motores vivos de operações inteligentes, as quais integram tecnologia, dados e automação aos processos de negócios para torná-los mais eficientes, preditivos e resilientes.
Agentes de IA estão sendo aplicados em processos-chave para monitorar atividades, otimizar execuções, resolver exceções e gerenciar fluxos de trabalho em áreas como finanças, cadeia de suprimentos, RH e atendimento ao cliente. A automação avançará para uma cogestão humano-IA, em que a IA propõe e executa, enquanto os humanos supervisionam e governam.
“Hoje, as operações são fragmentadas, com cada função focada em seus próprios KPIs, operando em sistemas separados e otimizando dentro de seus próprios limites. O verdadeiro desafio aparece nos pontos de conexão, onde os processos precisam compartilhar dados, sincronizar decisões e transferir tarefas", comentou Simone Neser, Gerente do Programa AI Taskforce na Capgemini, comentou:
“Isso vai mudar. Em 2026, as empresas líderes não otimizarão mais processos individuais, mas orquestrarão fluxos de trabalho completos de ponta a ponta, quebrando silos e criando cadeias de valor integradas”, analisa ela.
- Paradoxo da soberania tecnológica sem fronteiras
Em meio à incerteza geopolítica, a soberania tecnológica deixou de ser um conceito político e se tornou uma prioridade estratégica para empresas e nações.
Segundo Guillaume Renaud, diretor de transformação em nuvem na Capgemini Invent França, como a autonomia tecnológica plena não é possível, surge um paradoxo: a soberania não é mais definida pelo isolamento, mas sim pela interdependência resiliente.
“Isso significa que é preciso selecionar os riscos que você quer assumir e construir estratégias para gerenciá-los", disse.
Brasil na corrida pela adoção de IA
Em entrevista à Computer Weekly Brasil após o evento de divulgação do estudo, Silvio Dantas, diretor executivo de Inovação e Transformação Digital da Capgemini Brasil, explicou que a adoção da IA tem ganhado força nas organizações brasileiras.
“Já saímos da fase de experimentação e estamos numa fase de implementação. Temos empresas desenvolvendo agentes, soluções e trabalhando fortemente com arquitetura de integração.”
Ele citou exemplos de soluções já em uso, como agentes de atendimento, ferramentas para análise de sentimentos dos clientes durante conversas e sistemas de recomendação de produtos.
Dados confirmam esse movimento: um estudo do IBM Institute for Business Value mostra que 67% dos CEOs brasileiros estão adotando ativamente agentes de IA em suas empresas e se preparando para implementá-los em larga escala, superando a média global de 61%.
Além disso, 59% dos executivos brasileiros disseram estar preparando seus colaboradores para as mudanças culturais e operacionais que os agentes de IA estão trazendo ao ambiente de negócios.
Dantas também ressaltou a evolução do Brasil nesse campo: "A América do Norte tem investido em IA há muito tempo, então não há como não estar à frente. No entanto, o Brasil tem evoluído muito. Temos uma vantagem técnica significativa, com profissionais altamente qualificados e desenvolvedores entre os melhores do mundo. Nossa maturidade está mais em criar soluções relevantes, em vez de focar apenas em escalabilidade."