sgursozlu - Fotolia

Transportadoras precisam se adequar às plataformas digitais: Matrixcargo

CEO e cofundador compara as empresas de transporte às empresas de táxi de 25 anos atrás e discute futuro do setor. Matrixcargo, empresa com solução de IA para transporte rodoviário, oferece tecnologia que encurta planejamento de fretes para minutos.

Dependência estrutural das rodovias, sensibilidade às oscilações no preço do diesel, envelhecimento da mão de obra e informalidade estão entre os desafios enfrentados pelo transporte rodoviário de carga no Brasil. A esses fatores soma-se um problema mais recente – e de caráter existencial para o setor: o atraso na digitalização.

“Apesar de todas as complexidades, o país já poderia ter um transporte de carga 100% digital", avalia Rafael Mansur, CEO da Matrixcargo. “Mas, se olharmos para a maturidade das empresas, numa escala de 0 a 10, diria que os embarcadores se encontram na fase 7, enquanto as transportadoras estão na 3.”

As causas dessa defasagem vão desde a resistência de equipes à implementação de novas ferramentas até a falta de capacitação para utilizá-las de forma eficiente, limitando ganhos como otimização de entregas e redução de custos.

Para o empresário, à frente do operador logístico que gerencia mais de 300 mil viagens por ano, manter-se no modelo analógico implica deficiências graves, como a ociosidade – problema que afeta cerca de 30% dos veículos no Brasil, segundo estimativas do próprio setor.

Nesse contexto, a digitalização surge para potencializar a agilidade no planejamento de pedidos e o aumento da lucratividade. É o que Mansur relata ter constatado na prática com o Painel Logístico de Cargas (PLC), lançado pela Matrixcargo em 2024, com foco nos embarcadores de cargas.

“Planejamentos logísticos complexos, de 2 mil pedidos, podem ser realizados em cerca de 12 minutos com essa solução. A Cargolift [cliente da empresa], por exemplo, reduziu o tempo médio de comprovação de entrega de 56 horas para apenas 7 segundos, por meio da digitalização do canhoto da nota fiscal", conta.

Na prática, o PLC automatiza o planejamento dos pedidos, traçando rotas otimizadas a partir de variáveis como restrições rodoviárias, limites de carga e janelas de entrega. Em seguida, a plataforma utiliza inteligência artificial para alocar veículos e motoristas, considerando geolocalização e disponibilidade de agenda dos motoristas cadastrados na plataforma.

O que está por vir no setor

Para Mansur, as transportadoras tradicionais ocupam hoje uma posição semelhante à das companhias de táxi há cerca de 25 anos. Assim como aplicativos como o Uber passaram a conectar diretamente passageiros e motoristas, ele prevê que plataformas digitais devem ganhar espaço no transporte de cargas, permitindo que embarcadores contratem motoristas autônomos de forma direta.

Nesse cenário, essas plataformas tendem a assumir funções antes concentradas nas transportadoras, como rastreabilidade, segurança, gerenciamento de risco e gestão de pagamentos. Com a redução do papel de intermediários físicos, o processo se torna mais eficiente e econômico, na análise do especialista.

“Essas plataformas vão acabar dominando o mercado, e as transportadoras tradicionais terão que se adequar para trabalhar junto com elas.”

No mesmo movimento de transformação, Mansur avalia que o modelo de informalidade tende a perder espaço. "Agências reguladoras estão fazendo o 'dever de casa'. Isso é importante para evitar que empresas que pagam impostos e geram toda a documentação tenham uma oneração desproporcional.”

Segundo levantamento da Ampef (Associação das Aministradoras de Meios de Pagamento Eletrônico de Frete), a sonegação fiscal no setor ultrapassa os R$ 32 bilhões.

Diante desse cenário, Mansur alerta que empresas que não se adequarem à transformação digital e às exigências regulatórias tendem a perder espaço no mercado. “O empresário vai perder mercado mais cedo ou mais tarde, porque a digitalização já se provou eficaz.”

Saiba mais sobre Software de melhoria de processos