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Maioria dos projetos de IA não sai do papel nas empresas, afirma CEO da Tech for Humans

Para cofundador de consultoria, falta de capacitação, receio das lideranças e dificuldade de integrar diferentes áreas são fatores que limitam potencial da tecnologia no Brasil.

Apesar do avanço acelerado da inteligência artificial (IA), empresas ainda exploram apenas uma fração do que a tecnologia permite executar. É esse o diagnóstico de Fernando Wolff, CEO da Tech for Humans, consultoria especializada em transformar a experiência digital de empresas por meio de agentes de IA, ao avaliar o momento atual do mercado brasileiro.

Segundo o executivo, é comum que negócios fiquem presos a projetos experimentais, com apenas uma parcela das iniciativas chegando de fato à implementação. “Existe um afastamento claro entre o que é possível fazer e o que de fato é feito com a tecnologia, por uma série de motivos”, explica.

“Isso acontece não só pela falta de capacitação, mas também pelo medo de que a IA possa ocasionar falhas, trazendo consequências negativas para a companhia e até mesmo para a pessoa responsável por implementar o projeto.”

Nesse sentido, um relatório da IDC em parceria com a Lenovo, publicado em 2025, informa que 88% dos projetos-piloto de IA não chegam à fase de produção, o que se deve ao baixo nível de preparo organizacional, especialmente em relação a dados, processos e infraestrutura de TI.

No Brasil, o cenário também indica uma adoção ainda inicial. Levantamento da Abiacom (Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce), realizado em parceria com a empresa de pesquisas Brazil Panels e a escola de negócios Líderes.ai, mostra que 72% das empresas ainda estão nos estágios iniciais de adoção da tecnologia, nos níveis iniciante ou experimental.

Qual é a chave do sucesso?

Projetos transversais, que envolvem as áreas de tecnologia, comercial, marketing e operacional, têm mais chances de prosperar, avalia Wolff. "Quando tentamos fazer um projeto que parte de uma só área dentro da empresa, sem alinhamento com outros times, ele tende a não ir para o ar. É um problema que tem acontecido com frequência no mercado."

Outra característica de iniciativas bem-sucedidas é a definição clara de escopo, acompanhada de uma avaliação consistente do retorno sobre investimento (ROI) e do potencial real do projeto para melhorar a experiência do consumidor.

Entre as vantagens da incorporação de IA estão aumento da produtividade dos desenvolvedores, melhoria do atendimento ao cliente, redução de custos operacionais e automação de processos manuais, sobretudo em setores mais tradicionais.

"A Tech for Humans atende dois nichos de clientes: o mercado de seguradoras e o de instituições financeiras, que são muito antigas, em sua maioria, e apresentam processos manuais que hoje podem ser automatizados", conta o especialista.

Na visão de Wolff, a IA vem ganhando áreas dedicadas dentro das empresas, mas a tendência é que, com o tempo, passe a funcionar como uma camada tecnológica integrada a toda a organização.

“Primeiro precisa passar por esse momento de centralização para você limpar o que é sujeira e depois espalhar dentro da companhia. Assim como foi com a digitalização há 15 anos: existia uma área de digital em todas as empresas. Hoje isso não faz mais sentido, porque o digital permeia toda a companhia.”

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