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Dez previsões tecnológicas de analistas para este ano

IDC Predictions 2023: evento discute desafios e oportunidades para o segmento de TI e telecomunicações no Brasil.

No dia 2 de fevereiro, a IDC Brasil, empresa especializada em inteligência de mercado, serviços de consultoria e conferências com as indústrias de tecnologia da informação (TI) e telecomunicações, reuniu uma equipe de analistas para traçar previsões para o mercado de tecnologia em 2023. Estavam presentes Luciano Ramos, country manager da IDC Brasil, e os especialistas da IDC América Latina Luciano Saboia, diretor de telecomunicações, Reinaldo Sakis, diretor de devices, e Pietro Delai, diretor de enterprise.

Para iniciar, Ramos forneceu dados de contexto, destacando que o mercado de TI tende a apresentar operação e desempenho satisfatórios mesmo diante de condições econômicas desfavoráveis. "Em momentos de crise, como a pandemia, a TI auxilia as empresas a otimizarem a forma como operam, gerando melhores condições para a superação de dificuldades. Já em momentos bons, a tecnologia é uma importante ferramenta para a ampliação desses negócios", afirma.

O analista também explicou que o Brasil ocupa, atualmente, uma posição relevante no cenário internacional das tecnologias da informação e da comunicação (TIC): além de ser o 11º principal mercado em escala global, o país representa 33% do mercado de TIC da América Latina, segundo dados da própria IDC. "Estamos observando uma transformação da TI e das telecomunicações no Brasil. Ambas estão ganhando dinamismo e velocidade. Percebe-se também uma priorização da visão de dados", nota Ramos.

Em seguida, foram elencados os principais motivos considerados pelas empresas para investir em TI em 2023, sendo estes: aumentar a produtividade da organização, criar ou aprimorar produtos e serviços, tirar maior proveito dos dados para gerar novas receitas, melhorar a aquisição e a retenção de clientes e aprimorar as tratativas ligadas à privacidade de dados.

Leia, a seguir, as dez previsões da equipe de analistas para o ano vigente:

Amadurecimento do uso de cloud fará com que as empresas busquem maior controle sobre uso e gastos na nuvem

A primeira previsão dos painelistas está relacionada à redução dos custos da nuvem por meio da automação e do avanço dos FinOps (modelo operacional para a nuvem que combina sistemas e boas práticas). O amadurecimento previsto também tem a ver com a simplificação da operação da nuvem a partir da automação baseada em eventos, principalmente em ambientes multicloud.

"As principais previsões apontam para a emergência de mais ambientes híbridos, nos quais as empresas mesclarão múltiplas nuvens, de diferentes provedores ou tipos, que se unirão para formar o print digital daquelas organizações", menciona Ramos.

Os analistas presentes no evento ainda afirmaram esperar que os provedores de serviços gerenciados auxiliem nesse processo, uma vez que 93% das companhias consultadas pela IDC acreditam que a otimização de custos da nuvem deve integrar sua oferta.

O uso de cloud também ganhará espaço no âmbito do ESG, com as empresas demandando mais informações dos provedores sobre o impacto da nuvem sobre suas emissões de carbono.

Dessa forma, é provável que, neste ano, as áreas de negócio busquem entender melhor como a nuvem pode contribuir para sua imagem e resultados ligados ao ESG, de modo que os provedores de cloud e de serviços precisarão estar preparados nesse sentido. A TI, por sua vez, deverá ter enfoque na criação de estratégias para simplificar a gestão e a conectividade de diferentes ambientes, como os híbridos e os multicloud.

Virtualização do core das redes de telecomunicações avançará

A segunda aposta dos analistas é na evolução das redes de telecomunicação, que se tornarão mais importantes para os provedores de nuvem. "O fortalecimento dos laços entre as telcos e os provedores de nuvens intensifica sua transformação digital. A IDC também espera que, em 2023, haja mais acordos voltados para core e funções de rede virtualizadas", pontua Luciano Saboia.

Na esfera dos negócios, os especialistas preveem uma alteração na arquitetura das redes de telecomunicações, incentivada pela necessidade de habilitar novas funções de TI, como BSS (sistemas de suporte comercial) e OSS (sistemas de suporte operacional), digitalização de atendimento, aspectos data-driven e continuidade da implementação das redes 5G.

Quanto às perspectivas para o mercado, a IDC avalia que, nos próximos 5 anos, o consumo de nuvem pelo segmento de telecom crescerá, em média, 35% em IaaS (infraestrutura como serviço) e 42% em PaaS (plataforma como serviço) anualmente.

"Wireless first" impulsionará a resiliência de missão crítica e a continuidade de negócios

Saboia explicou, na sequência, que a abordagem "wireless first" procurará descentralizar o acesso e o transporte para os provedores de conectividade, ampliando a prestação de serviços por meio de tecnologias como Wi-Fi 6, Nb-IoT, 5G e satélites. Ademais, estruturas integradas de conexão, nuvem e segurança, como o SASE (Secure Access Service Edge), ajudarão a enfrentar os desafios de roteamento do tráfego em ambientes multicloud.

"Além de garantir cobertura e taxa de transferência, as redes wireless devem ser extremamente resilientes para atender o aumento de usuários e dados trafegados. Outro aspecto que gostamos de comentar é a observabilidade das redes, que facilita, por exemplo, a identificação de problemas de segurança da informação", cita o painelista.

Redes privativas móveis habilitadas pelo 5G permitirão aplicações aprimoradas de IoT, AI e ML no Brasil

Os analistas frisaram que a combinação de redes móveis privadas 5G, IoT e Multi-access Edge Computing (MEC) trará benefícios consideráveis para as organizações devido a aspectos como segurança, confiabilidade e baixa latência. As redes privativas móveis também proporcionarão novas oportunidades de receitas para o setor de telecomunicações, sobretudo nas áreas de cloud, armazenamento, gerenciamento e análise de dados.

Por isso, é de se esperar que empresas de diversas verticais invistam nessas redes para atender a necessidades específicas de suas operações e resolver desafios de conectividade. "Já podemos observar compartilhamento de receitas, assinaturas e pagamento somente pelo uso da rede em mercados mais maduros", exemplifica Saboia.

As oportunidades no mercado de redes móveis estarão concentradas em conectar com eficiência endpoints de IoT e dispositivos móveis corporativos, além de substituir a infraestrutura de rede e convergir meios. Enquanto isso, o network slicing permitirá ofertas como a monetização baseada em use cases de IoT.

Aplicações de negócio consumidas a partir da nuvem se consolidarão como principal caminho para modernização

Os painelistas explicaram que as aplicações de negócios inseridas no modelo SaaS têm avançado rapidamente. Porém, é preciso que as empresas garantam que as diferentes soluções consumidas a partir da nuvem conversem entre si e integrem efetivamente os dados.

"Vemos os provedores de serviços gerenciados assumindo papel de protagonismo na integração dessas soluções, tanto no momento de implementá-las e alinhá-las com o processo de negócio das empresas, mas também fazendo com que elas conversem bem entre si", analisa Ramos. "Passa a ser importante que esses provedores sejam capazes de entregar essas soluções na nuvem, no edge ou em ambientes dedicados", complementa.

Fusão de inteligência e automação trará novas capacidades para apoiar os negócios, mas ainda precisará ganhar confiança

Segundo pesquisa da IDC, 20,5% das empresas de grande porte entrevistadas consideram process automation e robotic process automation (RPA) fatores estratégicos para as iniciativas de TI em 2023. A mesma pesquisa sinalizou que AI ganhará espaço nos orçamentos das empresas neste ano, ficando atrás apenas de cloud e segurança.

No entanto, ainda existe o desafio da confiança por parte dos negócios para delegar a tomada de decisões a capacidades autônomas de IA. Assim, a TI deverá ser empregada para a difusão de cultura e conhecimento acerca do tema.

Além disso, é previsto que os gastos com soluções de automação inteligente (IPA) superem US$ 214 mil em 2023 no Brasil –aproximadamente 17% de crescimento em relação ao ano anterior, ainda conforme dados da IDC.

Segurança de TI e dados continuarão sendo prioridade e motivo de preocupação em 2023

O time de analistas explicou que, desde o primeiro pico de incidentes de ransomware, entre 2017 e 2018, a segurança se tornou prioridade para os executivos de TI no Brasil. A tendência é que o tema seja ainda mais frequente nas discussões da alta gerência das empresas devido ao endurecimento das regulações e penalidades sobre incidentes e à escassez de recursos especializados no mercado.

Haverá um aumento da participação da cibersegurança nos orçamentos de tecnologia e de negócio dos negócios, e soluções de maior cobertura, implementação e manutenção de baixa complexidade serão preferências dos clientes.

O mercado de devices segue sendo importante e representará 43,7% de todas as receitas de TI no país, a despeito dos desafios esperados em 2023

Em 2022, o mercado de devices enfrentou dificuldades em escala mundial, como a inflação nos Estados Unidos e na Europa. Para 2023, a IDC estima que o mercado brasileiro de devices gerará uma considerável soma de US$ 21,5 bilhões em 2023, 1,1% acima do ano anterior.

Os analistas sugerem que haverá maior disponibilidade de produtos, sem risco de escassez. Ademais, as vendas de smartphones se concentrará em produtos mais baratos e simples, enquanto o mercado de computadores terá vendas modestas.

Distribuição das vendas de devices sofrerá mudanças em 2023, refletindo o dinamismo necessário para atuar nesse segmento

Algumas das alterações iniciadas em 2022 seguirão sendo acentuadas. Por exemplo, o varejo online, que perdeu participação nos últimos meses, cederá mais um pouco em 2023 para o varejo físico. Contudo, o segmento mantém potencial considerável para os próximos anos.

Ao mesmo tempo, canais alternativos de varejo estão estruturados, capitalizados e em busca de oportunidades para ganhar mais participação. Alguns deles são: canais especializados na venda de dispositivos usados, empresas de devices as a service e distribuidores.

Empresas compradoras de devices também poderão colher os benefícios do alinhamento com as práticas de ESG

A IDC afirma que fabricantes e canais que ofereçam produtos ou serviços alinhados com ESG terão maiores chances de sucesso e estima que 5% das vendas de devices para empresas B2B no Brasil em 2023 serão concretizadas justamente por causa do alinhamento com conceitos de ESG.

Os especialistas aconselham que as empresas nacionais e multinacionais pensem nos devices como ponto de partida para gerar resultados e exibir métricas alinhadas às práticas de ESG.

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