sdecoret - stock.adobe.com
A importância da privacidade no mundo digital
A proteção de dados exige um compromisso contínuo com a educação e a construção de uma cultura de privacidade. As organizações devem investir em governança, capacitação de equipes e tecnologias que garantam o uso ético e seguro das informações.
O Dia Internacional da Proteção de Dados reforça a importância da privacidade e da segurança das informações pessoais em um contexto cada vez mais digital e conectado.
Com o avanço das tecnologias, os dados pessoais tornaram-se centrais em praticamente todas as esferas da vida — desde serviços financeiros e compras online até o relacionamento com órgãos públicos e plataformas de saúde. Essa expansão intensifica a necessidade de políticas eficazes de proteção de dados, capazes de garantir transparência, consentimento informado e segurança contra usos indevidos.
Apesar de estarem conectados, os conceitos de privacidade e proteção de dados possuem significados distintos. A privacidade está ligada ao direito à vida privada, à liberdade individual e ao controle sobre a própria intimidade. Já a proteção de dados envolve o conjunto de regras, políticas e procedimentos que orientam a coleta, o uso, o armazenamento e a segurança das informações capazes de identificar uma pessoa.
Nesse contexto, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), criada no Brasil em 2020, consolidou-se como uma das principais referências em proteção de dados na América Latina. Alinhada a padrões globais de privacidade, como o modelo europeu, a legislação avança em negociações para o reconhecimento de sua adequação internacional. A lei surge em um cenário marcado pelo uso cada vez mais intensivo de dados por empresas privadas e pela crescente digitalização dos serviços públicos, que passaram a depender da coleta e do tratamento dessas informações para a formulação e a implementação de políticas públicas.
A proteção de dados vai muito além da tecnologia. Ela está diretamente ligada ao respeito às pessoas e à forma como suas informações são tratadas. Quando empresas e instituições assumem essa responsabilidade, cumprem a lei e, ao mesmo tempo, fortalecem a relação de confiança.
Uso responsável dos dados
Mais do que cumprir normas, a proteção de dados exige um compromisso contínuo com a educação e a construção de uma cultura de privacidade. Organizações de todos os setores devem investir em governança, capacitação de equipes e tecnologias que garantam o uso ético e seguro das informações.
Ações suspeitas dentro das empresas — como o acesso ou o download de grandes volumes de dados sensíveis fora do horário habitual ou em dispositivos não autorizados — representam riscos significativos. Com o apoio de ferramentas como registros de acesso (logs), monitoramento de rede, controle de identidades e soluções de segurança em nuvem, é possível identificar comportamentos atípicos, correlacionar eventos e gerar alertas preventivos.
A conscientização dos usuários também é fundamental para que compreendam seus direitos e saibam como exercer controle sobre seus próprios dados. Em um ambiente digital em constante transformação, os riscos também evoluem. Vazamentos de dados, uso indevido de informações e falhas em sistemas automatizados se tornam cada vez mais frequentes. Esse cenário amplia a importância de respostas preventivas e estratégias de proteção estruturadas.
Sobre a autora: Juliana Nunes Liguor é especialista em Tecnologia da Informação, FinOps e Governança de TI, com mais de 25 anos de experiência na área, atuando no alinhamento entre tecnologia e estratégia de negócios. Possui sólida trajetória em projetos de alta complexidade, como migrações de Data Centers, gestão de riscos e transformação digital em grandes instituições, além de ampla atuação em governança, gestão de ativos e indicadores, sendo reconhecida pela liderança de equipes e pelo foco em segurança, eficiência e geração de valor para as organizações.