InfiniteFlow-stock.adobe.com
Previsões de cibersegurança para 2026: IA agéntica, novos vetores de ataque e dívida técnica
Estudos da Forcepoint alertam que a preocupação não está focado na IA generativa, mas que a autonomia das máquinas pode gerar riscos sérios e traz a necessidade de novas estratégias de proteção.
A Forcepoint divulgou suas previsões para 2026 destacando três tendências críticas que devem redefinir o cenário de cibersegurança no próximo ano: a ascensão da IA agencial, o surgimento de ataques baseados em prompts invisíveis e o aumento da dívida técnica de IA como risco silencioso e crescente.
As análises fazem parte da série Future Insights 2026, conduzida pelo time de especialistas da Forcepoint X-Labs, e revelam que a preocupação do setor de cibersegurança não está focado na IA generativa como aconteceu nos últimos dois anos, mas nas precauções necessárias para manter a segurança e diminuir a vulnerabilidade estrutural causada pelas novas ferramentas que exigem cada vez menos intervenções humanas.
De acordo com os analistas da Forcepoint, em 2026 a segurança deixa de focar apenas na proteção de dados sensíveis e passa a incluir a vigilância sobre como as máquinas interpretam, processam e tomam decisões a partir dessas informações.
Fellipe Canale, AVP LATAM na Forcepoint, recomenda que as organizações invistam em governança contínua, automação de descoberta, monitoramento comportamental de agentes, modularização de arquiteturas e controles capazes de inspecionar não apenas código, mas também a lógica e o contexto que as IAs consomem. “Proteger dados já não é suficiente; é preciso proteger a lógica, o contexto e o raciocínio das IAs que operam dentro das empresas”, alertaram.
Segundo a Forcepoint, 2026 será marcado pela consolidação da IA agencial (agentic AI), sistemas autônomos capazes de decidir, agir e aprender continuamente. Diferente da IA generativa tradicional, esses agentes funcionam como “pessoas digitais”, coordenando tarefas, acessando dados sensíveis e interagindo com outros agentes e sistemas corporativos.
Esse novo modelo operacional, explicam eles da Forcepoint, desafia abordagens tradicionais de segurança, que foram construídas sobre comportamento humano previsível e políticas estáticas. Isso porque a IA agencial ou agéntica atua para atingir um objetivo complexo, como a tomada de decisões, o que significa que ela também se comunica com outras ferramentas autônomas. Este sistema pode causar uma manipulação em sucessão dos agentes, já que o comprometimento da primeira máquina pode afetar toda a cadeia de decisões.
“A autonomia desses agentes pode ser um aliado muito poderoso na agilidade e simplificação de processos, mas a cautela é essencial para garantir que decisões automatizadas não ampliem riscos, vazem dados sensíveis ou escapem dos limites de governança definidos pelas organizações”, alerta Fellipe Canale.
A Forcepoint prevê o surgimento de novas funções profissionais especializadas e de ferramentas voltadas ao monitoramento comportamental, detecção de anomalias e governança dinâmica de agentes.
Prompts invisíveis transformam IAs em alvos e vetores de ataque
Segundo ao executivo da Forcepoint, outro alerta importante diz respeito à evolução dos ataques ClickFix, que agora utilizam texto oculto, CSS invisível e caracteres de largura zero para manipular sistemas de IA, especialmente “summarizers” e copilotos amplamente usados em ambientes corporativos.
Essa técnica permite que atacantes influenciem resumos e análises gerados por IA, inserindo links ou comandos maliciosos que não são perceptíveis a usuários humanos. Grupos avançados, como APT28 e Lazarus, já estariam explorando essas táticas, enquanto malwares auto-regenerativos começam a usar IAs para reescrever seus próprios códigos após detecções. “A defesa agora precisa ir além do que as pessoas veem e clicam — ela precisa proteger o que as máquinas interpretam, entendem e transformam em decisões”, destaca Canale.
Ferramentas como DSPM, DLP, CASB e controles de higiene de conteúdo (limpeza de HTML, remoção de CSS oculto, normalização de Unicode) tornam-se essenciais. A Forcepoint identifica este fenômeno como o início de uma nova era das ferramentas autônomas, onde atacantes e defensores usam inteligência artificial para se superar mutuamente.
A dívida técnica de IA e a necessidade da segurança em tempo real
O terceiro ponto destacado para 2026 é a rápida expansão da dívida técnica gerada por sistemas de IA. Conectores legados, pipelines desatualizados, descoberta incompleta e classificações inconsistentes criam pontos cegos significativos na governança de dados.
Casos recentes como Toyota, Decathlon e incidentes envolvendo Azure Blob Storage mostram como migrações apressadas e falta de atualização de componentes podem expor milhões de registros por anos, sem detecção por ferramentas tradicionais de segurança.
A Forcepoint reforça que a combinação de DSPM (Data Security Posture Management) e DDR (Data Detection and Response) será essencial para restaurar a visibilidade, detectar exposições e corrigir posturas de segurança em tempo real. “Sem visibilidade contínua sobre onde os dados estão e como são acessados, a dívida técnica se transforma rapidamente em exposição real”, reforça o especialista.