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61% dos brasileiros não confiam totalmente nas ferramentas de IA, mas as utilizam mesmo assim

Relatório da Ipsos mostra que país segue tendência de otimismo da América Latina, apesar de preocupações relacionadas ao mercado de trabalho.

À medida que a inteligência artificial (IA) avança, o público continua dividido entre a empolgação com as possibilidades oferecidas pela tecnologia e a preocupação com seus riscos. É o que revela o Monitor de IA da Ipsos 2026, divulgado neste mês.

Realizado em 32 países, o estudo analisou as atitudes, expectativas e receios dos consumidores em relação ao tema. Os resultados revelam um paradoxo comportamental: a maioria das pessoas admite usar ferramentas de IA mesmo sem confiar plenamente nelas.

No Brasil, a tendência se confirma: 61% dos entrevistados não têm plena confiança na tecnologia, embora ela faça parte do seu cotidiano. Por outro lado, 56% acreditam que a IA traz mais benefícios do que desvantagens.

As principais preocupações envolvem segurança de dados e os impactos no emprego. Quase metade dos brasileiros (46%) não confia que as empresas que usam IA protegerão adequadamente suas informações. Além disso, 42% acreditam que a tecnologia poderá substituir seu trabalho nos próximos cinco anos –acima da média global de 35%.

Segundo o levantamento, os brasileiros projetam que, nos próximos 3 a 5 anos, o uso crescente da IA trará benefícios em áreas como entretenimento, produtividade pessoal, saúde e economia.

Em geral, as opiniões do público não mudam na mesma velocidade que a tecnologia. Os estudos anuais da Ipsos evidenciam pouca variação nas percepções das pessoas desde o impacto inicial do ChatGPT, em 2022.

"Hoje, o número de pessoas que dizem se sentir animadas com a IA é praticamente o mesmo das que afirmam ficar apreensivas. Em muitos casos, são as mesmas pessoas experimentando os dois sentimentos", resume o relatório.

Jovens, homens e pessoas de alta renda são mais otimistas

Os jovens são os que mais utilizam ferramentas de IA no trabalho e os que mais relatam ganhos de produtividade. Pessoas com menos de 35 anos têm mais de três vezes mais chances do que aquelas entre 50 e 74 anos de afirmar que a tecnologia lhes poupou tempo no último ano.

Ao mesmo tempo, esse grupo também é o mais propenso a acreditar que a IA poderá substituir seus empregos nos próximos cinco anos. Essa maior exposição à tecnologia pode ajudar a explicar por que os jovens concentram tanto os níveis mais altos de entusiasmo (56%) quanto de ansiedade (52%) em relação à IA.

O estudo também mostra diferenças por gênero e renda. Em geral, os homens veem de forma mais positiva a IA do que as mulheres. Já as pessoas de renda mais alta são as menos apreensivas e as que mais utilizam essas ferramentas.

Ainda assim, o receio de perder o emprego para a tecnologia atravessa todas as faixas de renda: mais de um terço dos entrevistados acredita que a IA poderá substituir seu trabalho nos próximos cinco anos.

Embora menos da metade da população mundial esteja otimista de que a IA melhorará áreas como saúde, economia e mercado de trabalho, os mais jovens demonstram expectativas mais positivas. Nesse aspecto, não há diferenças significativas entre as faixas de 18 a 34 anos e de 35 a 49 anos.

Além disso, 54% dos entrevistados afirmam que a IA já transformou profundamente seu dia a dia nos últimos 3 a 5 anos, e 66% acreditam que esse impacto será ainda maior nos próximos 3 a 5 anos.

O fator ambiental

Estima-se que, atualmente, o consumo de eletricidade dos centros de dados chegue a cerca de 415 terawatts-hora (TWh) – o equivalente a 1,5% do consumo global de eletricidade em 2024. De acordo com a AIE (Agência Internacional de Energia), esse consumo cresceu 12% ao ano nos últimos cinco anos.

A rápida expansão da IA também gera um aumento no consumo de água, nas emissões e nos resíduos eletrônicos, levantando preocupações quanto à sua sustentabilidade.

No entanto, segundo o estudo da Ipsos, em todos os mercados, pelo menos duas em cada três pessoas acreditam que os benefícios superam esses custos ambientais. Essa tendência é maior em países como Indonésia, Tailândia, África do Sul e Colômbia.

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