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Conheça as 10 tendências tecnológicas de 2026 que prometem transformar a economia e a sociedade
Fórum Econômico Mundial destaca avanços em energia, biotecnologia, inteligência artificial e segurança digital com potencial de ganhar escala nos próximos cinco anos.
Em um conjunto residencial, prédios, carros elétricos e painéis solares passam a devolver energia à rede nos horários de maior demanda. Nos hospitais, vacinas de RNA mensageiro são desenhadas a partir do perfil genético de cada tumor. Em cidades cada vez mais quentes, tintas, películas nas janelas e telhados especiais refletem a luz do sol e liberam calor para o espaço.
Esses são alguns dos cenários projetados pelo relatório “Top 10 Emerging Technologies of 2026”, do Fórum Econômico Mundial, divulgado no último mês, que apresenta tecnologias capazes de mudar a vida cotidiana e setores estratégicos da economia.
As soluções foram escolhidas com base em seu grau de inovação, no estágio de desenvolvimento e no potencial de impacto, em um processo que reuniu cientistas, especialistas em tecnologia e líderes globais em inovação.
Saiba quais são os principais avanços tecnológicos – e o que falta para sua adoção em larga escala.
1) Prédios, carros e fábricas abastecem a rede elétrica
A tecnologia “everything-to-grid” transforma edifícios, veículos e dispositivos de consumidores passivos de eletricidade em recursos ativos da rede, capazes de armazenar e devolver energia em tempo real.
Na prática, frotas de veículos, edifícios e fábricas podem armazenar energia, reduzir o consumo ou devolver eletricidade à rede quando necessário, tornando o sistema elétrico mais flexível, como uma “malha de nós inteligentes", descreve o relatório.
Avanços em baterias, softwares inteligentes de coordenação e novos modelos de remuneração tornam esse sistema viável em larga escala. Para que esse modelo funcione, porém, será preciso modernizar as redes elétricas e adaptar as regras do setor para integrar esses ativos, afirmam especialistas.
2) Extração de lítio ganha velocidade
A extração direta de lítio promete reduzir de meses para horas o tempo necessário para recuperar o mineral a partir de salmouras, eliminando boa parte da demanda por terra e água dos tradicionais tanques de evaporação.
As primeiras operações industriais, na Argentina e na Califórnia, já demonstram a viabilidade da tecnologia em larga escala, abrindo espaço para que novas regiões passem a integrar a cadeia global de suprimento de lítio, pontua o documento.
Segundo Veera Gnaneswar Gude, diretor da Purdue University Northwest, a extração direta movida a energia solar ainda pode trazer um benefício adicional: recuperar lítio enquanto produz água doce por meio da dessalinização solar.
3) Tintas e telhados que ajudam a reduzir o calor
Esses materiais dissipam calor pela chamada "janela atmosférica", emitindo-o para o espaço e resfriando superfícies sem consumir eletricidade. Incorporados a tintas, telhas, filmes e tecidos, eles já começam a ser adotados em códigos de construção na Califórnia e na China.
A expansão da tecnologia dependerá de testes padronizados, da inclusão em certificações de construções sustentáveis e da manutenção do apoio regulatório em regiões sujeitas a calor extremo.
4) Destruição de “químicos eternos”
As tecnologias de destruição dos chamados "químicos eternos" – as substâncias per e polifluoroalquil (PFAS, na sigla em inglês) – rompem a ligação carbono-flúor que torna esses compostos tão persistentes no ambiente, utilizando processos como água supercrítica, tratamento eletroquímico e fotocatálise por luz ultravioleta. Já em operação comercial, elas tratam tanto a contaminação de águas subterrâneas quanto resíduos industriais.
Se forem comprovadamente eficazes em larga escala, essas tecnologias poderão tornar mais previsível o custo da descontaminação de áreas afetadas por PFAS. Isso exigirá padrões para validar a destruição dos compostos, regras claras de responsabilização e maior infraestrutura de tratamento.
5) Alimentos feitos por microrganismos em vez de animais
A fermentação de precisão utiliza microrganismos programados para produzir proteínas, gorduras e outras moléculas em escala industrial, reduzindo a dependência de terras agricultáveis, clima e pecuária.
Além dos alimentos, a fermentação de precisão também pode ser usada para produzir peptídeos para cosméticos, compostos farmacêuticos e insumos químicos hoje derivados de combustíveis fósseis. Sua expansão, porém, dependerá do acesso a financiamento, da regulamentação e dos impactos da transição sobre o setor agrícola.
6) Uma nova forma de levar medicamentos às células
Os exossomos são mensageiros naturais do organismo que podem ser modificados para transportar medicamentos diretamente às células-alvo, inclusive atravessando barreiras biológicas que dificultam a ação de terapias convencionais. Desde 2022, mais de 200 ensaios clínicos foram iniciados para tratar câncer, doenças neurológicas e os efeitos de longo prazo da Covid-19.
Os principais obstáculos para a adoção clínica continuam sendo a capacidade de produção em escala, o controle de qualidade e a criação de marcos regulatórios específicos.
7) Vacinas personalizadas contra o câncer
As vacinas personalizadas de mRNA contra o câncer são produzidas a partir das mutações do próprio tumor do paciente, treinando o sistema imunológico para reconhecer e atacar células cancerígenas. Ensaios clínicos em câncer de pâncreas e melanoma apresentaram resultados promissores e avançaram para estudos de fase 3.
A adoção dessa terapia em larga escala, porém, dependerá da redução dos custos, da ampliação da capacidade de fabricação e do acesso à infraestrutura necessária para o sequenciamento genético dos pacientes.
8) Simulação quântica para descoberta de medicamentos
A simulação quântica utiliza princípios da física para modelar o comportamento de moléculas com um nível de precisão que a computação clássica não alcança, ajudando a prever como potenciais medicamentos interagem. O mercado de descoberta de medicamentos baseada nessa tecnologia praticamente dobrou de valor nos últimos cinco anos, impulsionado por parcerias entre empresas farmacêuticas, diz o relatório.
Para que a simulação quântica passe das pesquisas para o desenvolvimento de novos medicamentos, será necessário criar padrões de validação e regras regulatórias para o uso de evidências geradas por simulação.
9) IA que aprende como o mundo físico funciona
Os “world models” aprendem a dinâmica de ambientes físicos a partir de dados multimodais, permitindo que sistemas de inteligência artificial simulem e raciocinem sobre situações inéditas. Plataformas como a Cosmos, da NVIDIA, e pesquisas da Universidade Stanford já aplicam essa tecnologia em áreas como simulação climática.
À medida que esses sistemas passam a ser usados em contextos críticos, sua adoção dependerá do avanço de mecanismos de governança, auditoria, responsabilização e validação.
10) Criptografia da era quântica
A criptografia baseada em reticulados protege dados ao codificá-los em estruturas geométricas complexas e adicionar pequenos erros aleatórios, tornando praticamente impossível distinguir a informação correta das incorretas, mesmo com computadores quânticos.
Em 2024, o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST) concluiu seus padrões de criptografia pós-quântica, e entidades como a União Europeia, a NSA e a SWIFT já definiram cronogramas para a migração.
O desafio agora é atualizar sistemas críticos antes que computadores quânticos sejam capazes de quebrar os métodos atuais de criptografia e acessar dados que já estão sendo coletados e armazenados hoje.