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Projeto une indústria, academia e Forças Armadas para desenvolver IA no Brasil
Iniciativa liderada pelo Exército e parceiros no Paraná busca fortalecer a soberania digital e desenvolver soluções para setores estratégicos, como petróleo e gás.
Um projeto que reúne universidades, empresas, órgãos públicos e as Forças Armadas do Brasil pretende acelerar o desenvolvimento de inteligência artificial (IA), cibersegurança e tecnologias quânticas, reduzindo a dependência tecnológica do país em áreas estratégicas.
Coordenado pelo Instituto Synapse, no Paraná, o projeto tem duas frentes: desenvolver tecnologias para a defesa com potencial de aplicação civil e gerir grandes volumes de dados com IA –acelerando consultas, resumindo informações e apoiando decisões em setores como petróleo e gás, energia e infraestrutura.
A ferramenta utiliza IA generativa com robôs de conversação avançados para consultar, resumir e cruzar informações em tempo real, eliminando buscas manuais. Segundo os responsáveis pela iniciativa, ela pode reduzir o tempo de análise de bases complexas de dados e apoiar decisões estratégicas na indústria.
"Precisamos extrapolar a área militar e colocar toda a parte tecnológica desenvolvida pelas Forças Armadas à disposição da sociedade civil para que possamos obter um mínimo de soberania digital nacional", afirma Cid Vianna, diretor do Instituto Synapse e responsável pela coordenação dos assuntos relacionados ao Exército Brasileiro.
A Petrobras é a principal financiadora, com apoio técnico e financeiro em parceria com a FUNDUNESP, responsável pela gestão administrativa. Para 2026, estão previstos R$ 15 milhões em investimentos e mil vagas gratuitas em quatro cursos de capacitação.
Além do desenvolvimento tecnológico, o Instituto Synapse planeja construir um parque tecnológico no Paraná –estado escolhido por reunir ecossistema de inovação, infraestrutura tecnológica e redes de hiperconectividade.
A presidente do instituto, Iolanda Viana, descreve a iniciativa como um centro de excelência em tecnologias para defesa, estruturado em três pilares: conscientização sobre o uso da tecnologia, desenvolvimento de pesquisa e implantação do parque.
"A ideia é unir a academia, onde já existem pesquisas e soluções em desenvolvimento, às empresas privadas, que precisam transformar esse conhecimento em produtos", diz ela. “Ao mesmo tempo, o Exército contribui com tecnologias desenvolvidas em áreas estratégicas e também apresenta demandas que podem ser atendidas por esse ecossistema.”
O Brasil ficou para trás?
O lançamento ocorre em meio ao aumento das ameaças digitais no Brasil. O país registrou 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos em 2025 –mais que o dobro do ano anterior, segundo a Fortinet.
A preocupação ganhou contornos concretos em 20 de junho, quando um ataque hacker à plataforma de alertas da Defesa Civil Nacional disparou mensagens não autorizadas para moradores de quatro estados.
O projeto nasceu de discussões iniciadas em 2013 nas Forças Armadas, quando já se observava o Brasil ficando para trás no desenvolvimento tecnológico mundial, segundo o diretor do Synapse.
A preocupação ganhou força a partir de 2017, com a percepção de que o peso geopolítico dos países passava a depender menos de sua força militar e mais de seu potencial tecnológico.
"As grandes batalhas de hoje são travadas diplomaticamente e principalmente no que diz respeito à tecnologia", diz Vianna.
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