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Projeto une indústria, academia e Forças Armadas para desenvolver IA no Brasil

Iniciativa liderada pelo Exército e parceiros no Paraná busca fortalecer a soberania digital e desenvolver soluções para setores estratégicos, como petróleo e gás.

Um projeto que reúne universidades, empresas, órgãos públicos e as Forças Armadas do Brasil pretende acelerar o desenvolvimento de inteligência artificial (IA), cibersegurança e tecnologias quânticas, reduzindo a dependência tecnológica do país em áreas estratégicas.

Coordenado pelo Instituto Synapse, com investimentos na orden de 15 milhões de reais, provenientes do governo do estado do Paraná, por intermédio da Fundação Araucária, o projeto Córtex tem como eixos a pesquisa e o desenvolvimento de soluções baseadas em IA, cibersegurança e tecnologias quânticas.

"Precisamos extrapolar a área militar e colocar toda a parte tecnológica desenvolvida pelas Forças Armadas à disposição da sociedade civil para que possamos obter um mínimo de soberania digital nacional", afirma Cid Vianna, diretor do Instituto Synapse e responsável pela coordenação dos assuntos relacionados ao Exército Brasileiro.

Além do desenvolvimento tecnológico, o Instituto Synapse planeja construir um parque tecnológico no Paraná –estado escolhido por reunir ecossistema de inovação, infraestrutura tecnológica e redes de hiperconectividade.

A presidente do instituto, Iolanda Viana, descreve a iniciativa como um centro de excelência em tecnologias para defesa, estruturado em três pilares: conscientização sobre o uso da tecnologia, desenvolvimento de pesquisa e implantação do parque.

"A ideia é unir a academia, onde já existem pesquisas e soluções em desenvolvimento, às empresas privadas, que precisam transformar esse conhecimento em produtos", diz ela. “Ao mesmo tempo, o Exército contribui com tecnologias desenvolvidas em áreas estratégicas e também apresenta demandas que podem ser atendidas por esse ecossistema.”

O Brasil ficou para trás?

O lançamento ocorre em meio ao aumento das ameaças digitais no Brasil. O país registrou 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos em 2025 –mais que o dobro do ano anterior, segundo a Fortinet.

A preocupação ganhou contornos concretos em 20 de junho, quando um ataque hacker à plataforma de alertas da Defesa Civil Nacional disparou mensagens não autorizadas para moradores de quatro estados.

O projeto nasceu de discussões iniciadas em 2013 nas Forças Armadas, quando já se observava o Brasil ficando para trás no desenvolvimento tecnológico mundial, segundo o diretor do Synapse.

A preocupação ganhou força a partir de 2017, com a percepção de que o peso geopolítico dos países passava a depender menos de sua força militar e mais de seu potencial tecnológico.

"As grandes batalhas de hoje são travadas diplomaticamente e principalmente no que diz respeito à tecnologia", diz Vianna.

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